Cartolas, baralhos, moedas, grandes ilusões e, principalmente, artistas unidos pela paixão pela mágica. A história da Associação dos Mágicos de São Paulo (AMSP) acompanha uma importante parte do desenvolvimento do ilusionismo na capital paulista.
No início do século XX, o cenário era muito diferente daquele encontrado pelos mágicos de hoje. Um documento histórico da Câmara Municipal de São Paulo registra que, até aproximadamente 1910, o desenvolvimento da arte mágica na cidade era bastante limitado. Entre as dificuldades estavam a falta de livros especializados, publicações, lojas, fabricantes de equipamentos e entidades dedicadas à atividade.
O mesmo registro aponta que, a partir daquele período, começou a se formar em São Paulo um movimento composto por mágicos amadores e profissionais, ao mesmo tempo em que a cidade recebia apresentações de artistas vindos de diferentes partes do mundo.
O nascimento da associação
Um dos acontecimentos mais importantes dessa história ocorreu em 14 de maio de 1955.
Naquele dia, um movimento liderado pelo mágico carioca Bakito resultou na fundação do Clube Mágico Paulista. O fato está registrado oficialmente na documentação histórica da Câmara Municipal de São Paulo e a própria Funarte confirma a fundação da entidade em 1955.
Alguns anos depois, em 1963, o Clube Mágico Paulista passou a adotar o nome pelo qual se tornaria conhecido: Associação dos Mágicos de São Paulo — AMSP.
Começava assim uma trajetória que atravessaria gerações de artistas.
Um espaço dedicado à arte mágica
Ao longo das décadas, a associação promoveu atividades voltadas ao desenvolvimento e à divulgação do ilusionismo.
Documentos históricos da Câmara Municipal registram que a AMSP promoveu espetáculos beneficentes, cursos para iniciantes, torneios internos e seminários.
A Funarte também descreve entre os objetivos da instituição a reunião de mágicos profissionais e amadores, buscando contribuir para o desenvolvimento da arte mágica por meio de conferências, encontros e das tradicionais Noites Festivas.
E existe algo particularmente interessante nessa convivência.
A mágica é uma arte tradicionalmente baseada na preservação de técnicas e segredos. Ao mesmo tempo, seu desenvolvimento depende do estudo, da prática e da troca de experiências entre aqueles que realmente se dedicam a ela.
Uma associação de mágicos torna-se, portanto, muito mais do que um local de encontro. É também um ambiente no qual diferentes gerações podem discutir apresentações, técnicas, construção de números, postura artística e maneiras de manter essa arte em constante evolução.
Paschoal Ammirati e cinco décadas de dedicação
Um dos nomes mais marcantes da história da AMSP foi Paschoal Ammirati, conhecido artisticamente como Fra-Diavolo.
Ammirati assumiu a presidência da associação em 1963 e permaneceu ligado à sua direção durante aproximadamente cinco décadas. Uma reportagem da ECA-USP, realizada quando ele ainda presidia a entidade, registrou os 50 anos de sua atuação à frente da associação. Posteriormente, a própria Funarte também destacou que a AMSP havia sido presidida por Ammirati durante 50 anos.
Durante esse período, a associação manteve atividades destinadas ao encontro e ao aperfeiçoamento dos artistas, consolidando uma tradição que continuaria depois dele.
A parceria com a Funarte
Nas últimas décadas, a história da associação também passou a estar fortemente ligada à Funarte em São Paulo.
A Fundação Nacional de Artes registra uma parceria por meio da qual a associação realiza reuniões em seus espaços culturais e promove apresentações gratuitas de ilusionismo para o público.
Em 18 de maio de 2023, por exemplo, um espetáculo realizado na Funarte celebrou oficialmente os 68 anos da Associação dos Mágicos de São Paulo.
A tradição continuou. Em fevereiro de 2025, a Funarte recebeu o espetáculo A Noite Festiva, promovido pela AMSP.
E em abril de 2026, a associação apresentou na Funarte SP o espetáculo Show dos Campeões, reunindo diferentes artistas em mais uma celebração da arte mágica.
Ou seja, mais de sete décadas depois de sua fundação, a associação continua participando ativamente da cena do ilusionismo paulistano.
Mr. Bright também faz parte dessa história
A relação de Mr. Bright com a Associação dos Mágicos de São Paulo também possui registros públicos.
Em reportagem publicada pela Revista Babel, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Giovanni Bright contou que começou a fazer parte da AMSP em 2001. A mesma matéria registra sua participação nas atividades da associação, discutindo números e auxiliando mágicos que estavam no início da carreira.
Sua participação na entidade também aparece posteriormente em registros oficiais da Funarte.
Em 31 de agosto de 2022, Giovanni Bright integrou um espetáculo organizado pela Associação dos Mágicos de São Paulo na Sala Guiomar Novaes, no Complexo Cultural Funarte SP.
Poucos meses depois, em 14 de dezembro de 2022, voltou ao palco em um espetáculo especial de Natal realizado pela associação no mesmo complexo cultural.
Assim, ao falar sobre a história da AMSP, Mr. Bright não está apenas contando a trajetória de uma instituição ligada à sua profissão. Ele próprio participou dessa história ao longo de diferentes momentos de sua carreira.
Uma tradição que atravessa gerações
Desde o movimento que deu origem ao Clube Mágico Paulista em 1955 até os espetáculos realizados atualmente, muitas gerações passaram pela Associação dos Mágicos de São Paulo.
Mudaram os artistas, os palcos, as técnicas e até a maneira como o público consome entretenimento.
Mas algo permanece.
A vontade de estudar, desenvolver e compartilhar a arte da mágica.
Mais de 70 anos depois de sua fundação, a trajetória da Associação dos Mágicos de São Paulo mostra como uma tradição pode atravessar gerações sem deixar de se renovar.
Porque talvez uma das grandes mágicas seja justamente essa: preservar uma história enquanto novos capítulos continuam sendo escritos.
Essa é a versão que eu considero editorialmente segura para publicação. Fiz uma escolha deliberadamente conservadora: quando encontrei uma informação interessante, mas sustentada apenas por blog pessoal ou fonte histórica secundária menos robusta, preferi cortar, mesmo que ela provavelmente seja verdadeira.
E há um detalhe importante que encontrei durante a checagem: existe uma reportagem da USP em que o próprio Giovanni diz que começou a fazer parte da AMSP em 2001. Portanto, essa ligação do Mr. Bright com a associação é particularmente sólida e vale muito a pena permanecer na matéria.
